Eu queria uma rede social onde eu só postasse coisa fútil e fosse linda, pra distrair e pensar que a vida é uma bobeira. E uma que eu compartilhasse pensamentos e posicionamentos críticos e sociais. Porque eu não estou aguentando mais instagram, eu não estou aguentando as pessoas fingir que nada está acontecendo com os povos originários e na política. Eu não tô aguentando ter tanta coisa pra postar de artes minhas de meses atrás. E ninguém ta me cobrando isso, mas eu me cobro postar.
O que era legal na internet, orkut, tumblr, instagram com foto de comida, acabou!!
Agora é um excesso de informação que me deixa louca. E eu quero consumir informações, já que esse é o meio agora né? Mas não estou conseguindo balancear minhas futilidades, os brilhinhos, das coisas sérias!! As coisas sérias estão tendo mais importância, mas eu também quero ser tchonga!
Bom, estou no aguardo de uma nova rede social. E enquanto isso não chega, vou continuar postando aqui no bloguin e divulgando no insta, afê véio.
A bobeira de hoje, são mais uma vez camisolinhas vintages e fashions. Que de todo meu acervo vintage, essas camisolinhas são as peças que eu não tive coragem de doar, porque são tão lindas!!
Tudo começou bem antes das eleições, num dia que eu resolvi tirar fotos com esses trililis lindos de peças que eu tenho. Ai, eu tirei essa foto aqui.
Olhei e pensei, eu estou uma senhora?
Mas eu gosto... só que algo aconteceu em mim... fazia um bom tempo que eu vinha me arrastando de uma autoestima muito baixa, muito zoada. Eu já não gostava mais do meu ser fisicamente falando, mas principalmente do meu estar no mundo.
Nada grave assim aconteceu, além do tempo que passou. Era mais uma relação minha com a minha existência, uma vontade de me apagar do mundo e sumir.
Tipo mais no sentido de me tornar invisível.
Esse sentimento estava acontecendo em mim, mesmo antes do falecimento da Dan. Começou depois que passamos pela pandemia. Eu fechei o brechó, e tinha começado a trabalhar num trampo que me sugava a alma, e depois com a partida dela isso se agravou...
Eu vou ser bem pessoal aqui, era uma sensação de 'eu não quero ser mais vista, nem lembrada por ninguém'. Eu tenho uma suspeita, mas não sei de onde isso nasceu ao certo. Mas depois que nasceu, estava ganhando força em mim... meio pesado né?
Mas ao mesmo tempo, eu ainda continuava existindo e produzindo, porque eu não consigo não produzir e nem de ser... Era um bagulho de autoestima, mas sei lá de percepção de mim mesma também.
Eu não estava muito me reconhecendo no meu corpo de 31 anos e nem na minha cabeça. Mas eu reconhecia que o tempo havia passado, então não sei, eu queria desaparecer.
Depois da ida ao Japones no ano passado, minhas percepções de mim e da vida foi melhorando um pouco. O luto que nunca passa, foi encontrando outros espaços de existir em mim e eu fui tendo outras conquistas e percepções também.
Depois disso esse sentimento de desaparecer, foi meio que amenizando um pouco, viver essas coisinhas assim, foi importante pra mim... Eu fui querendo me arrumar mais, querendo existir mais, ouvindo umas musicas de divas popzinhas e arrasantes. Fui vendo que eu dessa idade que estou, estava tudo certo, e a vida foi acontecendo.
Ai eu acordei um dia com vontade de tirar fotinhas e tirei essa foto de senhora ali de cima, e eu gostei dela. Mas eu pensei "será que eu consigo resgatar aquela eu do passado, que se fazia muito empoderadona e gostosona nas fotos, com a idade e onde eu estou?".
Eu tive essa fase né (que vergonha), de tirar fotos sexys. Mas era cunt de alguma forma, só que, eu quis apagar isso também...
Eu peguei uma foto de 2016 pra me inspirar.
Eu era tão besta, coitadinha...
Mas era nessa pegada aqui oh...
Enfim nessa época, eu gostava desse estilo camisola e lingerie vintage meio sensuelem. Eu consumia muita foto nesse estilo no falecido We heart it, era uma pegada tipo assim...
Eu confesso que eu acho esse estilo tão problemático hoje em dia, porque esse negócio da inocência sexy me cheira a ped0filia... credo... ou pelo menos de um olhar muito de desejo masculino sobre as mulheres. Uma coisa assim patriarcal de dominância.
Não é estranho? Ai meu deus, eu não vou entrar mais nessa ceara... que nojeira. Limpa, limpa, limpa.


Crescer faz tão bem...
Enfim, longe de ser uma menina sexy buscando validação masculina, mas tentando me reencontrar com a minha loba que vinha de uma bad existencial, eu tirei essa aqui... bom eu vou postar essa, que ta suave...
Eu senti que foi meio simbólico, me encontrar com essa eu ai bonitona, mesmo que seja só um momento de uma foto, foi um pedaço da minha autoestima voltando.
Essa de 2026 me parece mais real que a de 2016. Não só pela edição haha mas pela pessoa que eu vejo.
Na foto antiga, parecia que eu estava querendo provar que eu cresci, provar que eu era 'uau, nossa'. E nessa que eu tirei agora, eu me senti mesmo assim... mais euzinha.
Mesmo isso sendo só uma foto né, não eu por completo.
Enfim, essa conversa fiada toda pra dizer que, foi bom nesse momento ter me reencontrado com isso, e que não tem como eu querer me apagar só porque senti que fizeram isso comigo... No fim, eu acho que eu sei bem o nome que tem esse sentimento que me fez querer aparecer em 2016 e desaparecer depois, mas vou deixar baixo.
Voltando pras camisolas hehe essa linda aqui da foto de senhora eu ganhei de uma amiga, e ela é uma parte de cima de um pijaminha que deduzo ser dos anos 50.
O tecido dela, eu não sei ao certo o nome, parece meio uma lona mas meio brilhante sei lá.
O que eu acho lindo são as rendas francesas, a delicadeza que elas foram costuradas.
Os bordados rococós e os botões revestidos com o mesmo tecido da blusa.
Renda francesa e bordado rococó.
Esse eu tenho umas fotos que tirei com ele em 2022.
Homem bonito, feio, mal sucessido, bem sucedido, tanto faz. Em sua grande maioria, os caras são educados de modo a não verem nada nas mulheres além de desejo, então quando eu tirava fotos buscando algum tipo de reconhecimento pelo olhar masculino como se isso fosse me validar, era um tiro no pé.
Mas ao mesmo tempo, tirar fotos assim, de alguma forma, me fez me reconhecer a grande gostosa que sou e me reecontrei com ela nessa foto de agora. Só que de modo melhor que antes, porque está na minha mente, não ta em fotinha, em corpo, em 'olhe pra mim', não.
Sinto que eles se aproximam de mulheres em sua grande maioria somente pra poder as ter de modo físico, e nunca as admirar como seres humanos sem essa intenção. Essa intenção de desejo, posse, conquista, vem SEMPRE na frente, mesmo que eles as admirem, por isso não confio neles.
E ainda bem que me livrei dessa busca de ser bonita pelo olhar desses seres desprezíveis, amém.









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