Assim que cheguei do Japão eu escrevi quase um livro, fiz um diariozão com todas as percepções que tive, para meio que tirar de mim todo aquele monte de informações que consumi, aprendi e vivenciei nas semanas que fiquei por lá.
E eu acabei ficando sem vontade de escrever aqui um pouco mais sobre as experiências que tive, mas hoje acordei com um pouquinho de vontade de escrever, então irei contar as percepções que tive ao assistir os teatros tradicionais do Japão.
Primeiro fomos ao Kabuki em Quioto.
Roupas bem lindas, e o cenário geralmente é de madeira e os atores estão sempre sérios, ou com expressões que não são sorrisos.
Eu só conhecia por fotos, e achava a coisa mais linda do mundo em questão estética. Então eu imaginava que quando fosse conhecer pessoalmente seria catártico, mas foi bem diferente.
O teatro é impecável, fenomenal, parecia como entrar em um navio antigo.
A arquitetura tinha detalhes por todos os lados, sutis, mas tinha. Desde o corrimão ao teto do teatro principal.
O chão era de um carpete aveludado. O palco principal tinha detalhes em pintura, detalhes na moldura que faz o quadrado do palco, e a cortina do palco era de um tecido muito rico, uma coisa assim, belíssima.
Os atores, o figurino deles é divino! A maquiagem é divina! A expressão corporal deles, é divina, impecável, esplêndida, e maravilhosa.
Assitimos uma peça que tinha uma criança!E ele ficou caído no chão por sei lá, uns 40 minutos, sem se mexer. Isso que é tonus muscular haha, outro nível de entrega.
Ah, e eles falam meio cantando, não sei expressar isso por escrito, mas quase todo final de frase tem um iiiIIIiiiHHHhh, OooOOooOhHHh, e pum pum, se ouve um bater nos tambores.
O cenário da peça, foi outra coisa que eu fiquei sem ar. Ele é todo manual e se move a partir da cena como num filme, e você sem percebe. O palco gira!!! É LINDO!
Uma coisa que foi meio ruim é que, como esse teatro é muito disputado, ficamos em um lugar muito distante do palco principal, e era meio difícil captar todos os detalhes estéticos que estava sendo mostrado ali.
Agora a peça em sí, eu confesso que não sei se gostei. Pois estar no Japão, como já mencionei, foi totalmente diferente de só o ver por foto, e não consegui me relacionar com a história apresentada.
Claro, eu não entendia nada do idioma e certeza que isso ajudou né? haha
Havia uma tradução no fone em inglês, mas pra mim, era mesma coisa que nada.
O próprio expressar dos atores era impecável tecnicamente, mas as histórias não me tocaram.
As histórias eram sobre trabalhores e deuses, realezas e pessoas pobres, e era meio cômico também.
O público ria e eu ficava, o que eu perdi? Não sei se estava gostando.
Sem falar que nunca acabava! Ficamos tipo 4 horas lá haha e na última história, que eu já estava sem esperanças, eu gostei, foi boa.
Outra coisa que eu não gostei, cadê as mulheres?
Eu senti muita falta das mulheres atuando no Kabuki, mesmo esse teatro sendo criado por uma mulher, elas não podem fazer parte.
No Kabuki não tem mulheres atrizes, as personagens que aparecem são homens as representando. E essas personagens são tão dramáticas, tão descompassadas (pelo menos as das peças que vi).
Eu me sinto meio mediocre expressando que não achei maravilhoso o Kabuki como acho nas fotos, por de fato não entender, e não gostar da questão de não ter mulheres.
Mas foi o que foi, valeu a experiência. Quem sabe numa próxima eu não vou assistir com outro pensamento.
Esse foi em Osaka, e fomos com um grupo de amigas estrangeiras que conhecemos através do kamishibai, a arte de contar histórias que utilizamos na cia teatral que faço parte.
E a história, era o mesmo esquema, mulher descompassada no romance estilo Romeu e Julieta, mas eu gostei. Era um amor bem drama, combinou com os bonecos.
A unica coisa que faltou foi? Mulheres.
Mas acho que o Bunraku, existe mais a presença de mulheres como no Otome Bunraku, então é melhor.
Esse assunto é grande.
Então estava feliz. Eu bem alegre, acreditei fielmente no grupo de amigas que indicou e não pesquisei nada sobre esse teatro.
Já nos cartazes se via que a representação dos personagens, estava mais para aqueles animes de romance shoujo de homens pernudos e adocicados, do que para mulheres amazonas e babadeiras que queria.
Entrando no teatro, era lindo e impecável. Chão de carpete aveludado e com desenhos, lustres de cristais, tudo com a estética bem anime de romance.
Consegue imaginar essa cena?
Então eu estou achando bonito e tendo atração para uma pessoa, meio mulher, meio homem, e é pra isso que viemos aqui. Certo?
Olha como o formato do pensamento se choca. Eu via mulheres, mulheres lindas por sinal, se eu me atraísse por elas, eu iria me atrair mais por uma mulher. Já o público, parecia ver como um homem.
Mas eu não tenho certeza desse pensamento que tive.
Pois esse teatro pode e sim estar dentro do espaço da comunidade queer, mas meio velado, talvez.
Sabe? O clássico, o homem perfeito que se apaixona pela menina comum, que só está vivendo, e ele a ama, e todos a amam, e disputam. Bem trama adolescente.
Então do que adiantou ser mulheres? Se a representação da mulher, ainda foi colocada nesse lugar de ser salva pelo homem rico?
Teve uma hora, que eu juro, eu achei que elas iriam virar aquele meme do Jordann, que ele vira isso aqui:
Foi assim: O casal de personagens principais finalmente ficaram juntos e apareceram em cena com um terno bonito e um vestido de festa.
Eles saíram do palco e voltaram com uma roupa de príncipe e princesa com brilho (um vestido lindo por sinal); saíram de novo e voltaram com uma roupa de realeza com mais brilho e capa; saíram de novo e voltaram com uma roupa maior de realeza mais capa e mais brilho; saíram de novo e voltaram com outra de roupa de realeza e um COSTEIRO de plumas, que depois virou costeiro de penas colorido.
Eu pensei eles vão transcender igual o Jordann!!!!
Fazer aquela roupa da Jordan de ia no manual, é pra poucos.



















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