Desde que fechei meu brechó em 2023, eu parei de tirar fotos minhas.
Na verdade eu tirava mais como uma obrigação, para poder divulgar as peças que estava postando.
Mas de certa forma até que era um momento bom pra mim. Me arrumar, tirar fotos e me ver bonita, de certa forma, me ajudava na minha autoestima, e na ideia de como me vejo.
Eu nunca me senti uma pessoa bonita fisicamente falando, talvez carismática e com um tchan haha mas beleza de olhar e falar "nossa, uau", não. Acho que talvez eu seja comum, não sei, cara comum. E também porque os conteúdos que infelizmente consumi desde mais nova sobre o que é ser bonita, não era sobre a minha beleza e meus traços.
Na verdade quando se trata de beleza física para as mulheres é tudo muito né? Tem que ser tudo super perfeito, o rosto, o corpo, os dentes, o cabelo, as unhas, os pelos, até as coisas mais íntimas, e ainda estar num lugar de desejo, pureza, servidão e cuidado. É muito desonesto e pesado, e a gente acaba consumindo todas essas coisas e achando que nossos desejos de melhoria física são vontades próprias, quando na verdade nos induziram a pensar de tal forma.
Então eu e minha aparência, sempre foi uma relação de gostar e não gostar. E acho que com todo mundo é assim de certa forma.
Teve um tempo na internet que existiu um certo movimento do "aceite você mesmo", e nisso começou a se espalhar um discurso de aceitação e de encontar sua beleza no que você é, isso foi bom pra mim. Eu me vi mais nesse lado alternativo e queer, e tive mais espaço também para não se importar tanto com essa beleza "padrão" cobrada.
Mas acontece que toda vez que tirava foto, mesmo com o brechó, eu editava meu rosto por causa das minhas marcas de expressão e minhas bolsas dos olhos.
E sempre escondia partes que não gostava do meu corpo, como meus peitos que sempre achei meio caídos, e meus bracinhos gordinhos que comecei a prestar a atenção nisso depois que me apontaram lá na adolescencia.
Então tirar fotos era uma ajuda na minha autoestima, mas também não era tão eu assim.
Minha mãe encontrou dia desses no bazar uma camisola em seda belíssima dos anos 50. Mas estava toda rasgada, então ela a colocou no saco de retalhos. Quando eu a vi pensei "eu quero!", minha mãe a reformou e me deu.
E eu queria muito tirar foto com essa camisola, pois uma peça linda e perfeita dessa não merece ficar escondida nem perdida no tempo.
Eu me vesti com ela, me olhei no espelho e o pensamento que veio foi meio de "vix, não tá legal, meus peitos não encaixam aqui, olha a cara de acabada que eu estou ficando, vou tirar fotos com ela pra que?".
Olhei mais um pouco, olhei mais, olhei mais um pouquinho, e comecei a me gostar. Ficou bom.
Não foi como um passe de mágica a aceitação, mas tirei as fotos com a camisola. E naquele momento um lado meu falou foda-se, que paranóia da porra nessas coisas, a vida é mais.
Pensei "Eu vou postar essas fotos sem edição nos meus olhos, nas minhas marcas de expressão", (que com a idade está se afirmando, mas sempre estiveram aqui). Vou tirar essas fotos com meus peitos desse jeito e meus braços e vai ser isso e eu não quero nem saberrr!! hahaha
Pode parecer pouco, ou nada a ver esse pensamento meu pra quem é de fora e me vê sempre.
Mas pra mim tinha uma distorção de imagem entre o belo que eu queria, e eu.
Mas eu estou envelhecendo, eu quero aceitar meus processos estéticos de mudança com respeito.
Eu acho que envelhecer é bonito, as vivências que carregamos, as percepções que temos, as histórias.
Por que a gente fica sempre exaltando ser novo, e esse belo físico que a pouca idade tem?
Os 20 anos, os 15, são lugares que eu não quero estar mais.
De modo nenhum. Então é isso.
Vamos pras fotinhas.
Tem muitas!
A presença ilustre da Pretinha (ou é o Cavaco?)..jpg)
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É, eu coloquei um filtrinho de cor né, pra dar um tchan haha.
Como as roupas antigamente eram lindas né?
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