3 Marias Brechó em 2023 - é o Fim

Ai que bom que é o fim haha o que aconteceu no ano de 2023?
Cansaço, fadiga, tédio e stress.

Havia uma voz dentro da minha cabeça me dizendo "fecha essa joça", mas eu ainda resistia comigo mesma. Não vou fazer isso porque sem o brechó o que eu vou ser?
Era para além de uma questão de trabalho somente, já que esse já estava cambaleando das pernas. Era uma quetão de: Eu construí tudo isso pra dizer adeus?

E a resposta é: simmm!!

Eu sei que pode soar clichê mas acho importante reconhecer quando as coisas acabam, e pra mim havia acabado. 
Eu já não via mais prazer, nem vontade de fazer as coisas que envolvia o brechó. As visualizações estavam caindo, eu estava cansada e querendo ir atrás de outras coisas.

E foi assim que de coração mais calmo eu falei pre mim, é isso, acabamos por aqui. 

E assim, depois de 9 anos, resolvi fechar o brechó.

Foi um alívio, uma sensação quase de jornada concluída. Só não foi porque não sei se a vida é uma jornada a ser conluída.
Eu sabia que o brechó não se tornaria nada além do que ele já tinha sido, só se para isso eu precisasse mudar meu dna para conseguir entregar, e quem sabe conseguir, algo que as redes e o público esperava. E do fundo do meu coração, eu não queria de modo nenhum fazer isso.
Isso de agradar público e incentivar compras, essas coisas, eu acho um porre.

Enquanto o brechó fluía em conversar com o público naturalmente, quando postávamos as peças e reflexões e dentro de um movimento estético e ecológico se falava sobre isso, era perfeito. Era algo que passávamos e que gerava algum afeto, alguma troca.
Mas depois que as coisas começaram a mudar, e eu também com a minha rigídez pra mudanças, comecei a detestar estar cada vez mais nesse espaço do "Olha como sou legal, você também pode ser se comprar isso".

Dane-se, era um brechó de moda antiga, gerava sim algumas questões, mas era isso. Eu não queria determinar moda no quesito tendência, ser xovem para ninguém.
A moda pra mim entra nesse espaço de expressão de ser quem se é. E mesmo nós sendo esse emaranhado de referências, quando algo precisa dizer a você que usar ou ser tal coisa, vai te fazer ser legal ou descolado, eu já acho meio ridículo por que a singularidade se perde.

Tudo que entra em tendência agora nessa nova moda, eu olho e penso, "bonito", mas dá duas semanas já ficou cansativo. Parece que eu já vi tudo, todos esses estilos são montados.

E brechó pra mim não é isso. É o encontro, a surpresa de encontrar o que não se espera e fazer algo com isso, a expressão de algo mais singular, genuíno. E outra, preço acessível.
Não essa coisa de tendências, exagero nos valores da moda vintage, essa loucura toda.

Eu assumo, eu também não soube conversar com um público que mudava e assim fidelizá-lo conforme  o tempo passou, porque eu acho que eu não queria. Como aquilo não conversava mais comigo, eu não queria mais conversar com ninguém. 
Pode ser que esse sentimento de amargura e cansaço, tenha sido um resto das dores que vivi durante a pandemia e que ainda não me curei. Não sei.

Então foi bom enquanto durou...

Mas hoje eu não quero mais, me cansa até qualquer discusão voltada para isso de moda, expressão, valorização, ou qualquer coisa voltada aos brechós. Quando a sala está cheia eu sempre quero me retirar.
Eu ainda compro em brechó e principalmente bazares, mas o universo do brechó e dessas modinhas de internet, eu mudo a calçada, finjo qu enão conheço e passo longe hahaha

Agora alguns últimos editoriais que fiz no ano de 2023.
Esse com a Lari que eu amo muito.

Esse com a Dessa que eu amo também.



Esse com a Sara que é lindo demais, e eu amolho!


Algumas fotinhas que tirei com as peças.












Esse bem fubanga anos 2000 haha

Garçonete de lanchonete gringa.












Eu gosto dessa luz bem dramática.










Como estava cansada de tirar foto, comecei a tirá-las nos manequins.
Eu queria mudar um pouco o formato.





Assim, fiz essa manequim bizarra mas legal. 
Tem post dela Aqui

Algumas fotos das peças.

Agora um espaçinho para mostrar os bastidores de uma coisa que eu realmente amava muito.
Que era, quando eu ia garimpar e chegava com as sacolas cheias de roupa, a sensação era realmente boa!
Eu saia tirando foto de tudo para mostrar pra minha mãe, e também para pensar na possibilidade que aquelas peças poderiam ser, no que criaria com elas.
Além de gostar muito de lavar e passar pois dava um ar novo, restaurava. Dava uma nova vida para aquela roupa que estava ali meio perdida, mas tinha super potencial.

Quando eu espalhava no chão as roupas que encontrava no brechó, a Nina amava.


Algumas peças como chegaram no acervo durante os últimos anos.
Minha camisola quando chegou.
Esse vestido aqui, eu achei ele e mais 2, estavam super sujos e são da década de 70.
Mas devido ao mal armazenamento que eles sofreram, todos estavam com o tecido podre.
E eu simplesmnete joguei dinheiro fora.
Uma pena.
Mas rendeu umas fotuchas.
Esse do meio de bolinhas e esse de noiva, foram os dois que encontrei junto ao vermelho.
O de noiva.

Também encontrei esse de noiva bem legal.

A calçola anos 60 e um camisolão anos 70.
Esse verde água é super legal.
A etiqueta.
O xadrezinho esquecido ali no canto também é legal.
Tem muita peça ai que é do bazar do japoneses. Esse era babado, roupas do japão baratíssimas! 
E eu lembro a "briga" que era com as sacoleiras hahaha
Esse conjunto verde, estava manchado. Quando lavei ele desbotou e ficou meio azul.
O terno legal.
Esse é chique.
Esse também.

A roupinha da minha amiguinha.

Esses eu peguei pra mim haha.

Esse é super legal! Um tênis raro da Keeds com formato de bola de beisebol. Mas estava podre, que pena.

Esse dois eram super legais.
Algo me dizia que esses sapatos eram de algum cara que foi fashion nos anos 70, e se desfez de seus sapatos estilosos.
Nunca tinha visto um sapato assim.
Tirei print pois perdi essas fotos originais haha.
Um evento que eu me senti meio bad quando fui.

A sujeira do vestido de noiva.

Uma Mônica perdida.

Eu igual uma maluca no bazar.

Eu me arrisquei um pouco nos vídeos.

No fim a ideia de fazer algo com tudo isso me deu mais alegria e ânimo do que o resultado, que não gerava o que eu esperava. Porque eu amava fazer isso pela possibilidade de ser algo legal, mas quando se concretizava e e não era legal eu ficava frustrada e triste.

Muitos brechós daqui da minha cidade que eu ia na época que tinha o meu brechó, eu parei de ir.
Eu tentei abrir um outro brechózinho que funcionasse mais leve, onde eu não iria aparecer, vendeu um pouco mas eu logo desisiti.
Realmente o tempo do brechó se foi...
Então adeus.
Chegamos ao fim uhull.

E foi isso.

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